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20 de jan de 2017

Fomos foz

Não se pede perdão por desamar.
Coração é mesmo enchente em desvario
como rio deságua após levar barragem
que nem se dá Caronte pois remar contrário.
Não peças perdão por não me amar;
sequer o fiz por ter por ti aguado em delírio.
Se não rio, foi por deixar lavar a margem
interna de meu peito a teimar adversário
ser à maré tua.
Do leito, eu era superfície e tu, a Lua.
Eu, lodo e imundície; tu, de reis, falua.
Eras tu de espécie que flutua;
que se espera que vicie; inalcançável légua;
algo que se noticie; rara verde-água pedra-da-lua,
o que Deus providencie; ponto com que se conclua
o que homem renuncie.
Faz teu deságue,
fluido amor.
Sê a vazante que me naufrague
e este corpo em ondas sem remo nem rima (de)compor.


Mergulhão

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– – – – – – – – – – – – – – – – – – o que viu nessa estrada?